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Petroquímico importado já representa 35% do mercado


O recuo na produção nacional de químicos de uso industrial e o avanço das importações nos últimos anos, que revelam a acelerada perda de competitividade do produto brasileiro, levaram a um novo o recorde no setor, embora não haja motivos para comemorar do ponto de vista da indústria e da balança comercial.

Pela primeira vez, desde 1990, a participação dos importados na demanda local de produtos químicos alcançou 35,3%. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), referentes ao desempenho do setor no acumulado de 12 meses até setembro, o crescimento dessa fatia é resultado da queda de 3,3% da produção de químicos, baixa de 6,3% das exportações e avanço das importações em volume de 9,2%.

Em valores, os números chamam ainda mais a atenção. No acumulado do ano até setembro, as compras externas de produtos químicos alcançaram US$ 34,1 bilhões, queda de 1%. As exportações, por sua vez, somaram US$ 10,8 bilhões, alta de 1,9%. Dessa forma, o déficit na balança comercial da indústria foi de US$ 23,2 bilhões, 2,4% abaixo do registrado em igual intervalo de 2013. Em 12 meses, o saldo ficou negativo em US$ 31,4 bilhões, em linha com o projetado para 2014.

Custos de produção em alta, com destaque para energia elétrica e matérias-primas, ajudam a explicar o cenário. Soma-se a isso a disponibilidade de matérias-primas de baixo custo no exterior, especialmente após o início da exploração do gás de xisto nos Estados Unidos, o que fez ressurgir a petroquímica americana e alimentou a oferta de químicos a preços competitivos no mercado global.

Sob o aspecto do câmbio, apesar da forte desvalorização do real frente ao dólar nos últimos meses, os patamares atuais ainda não são saudáveis, na ótica da indústria química brasileira. De acordo com o presidente da Abiquim, Fernando Figueiredo, há necessidade de taxas de câmbio mais "realistas" no país. O mais recente estudo da associação sobre o tema indica que o dólar a R$ 2,50 ou R$ 2,60 seria saudável para o setor químico e poderia impulsionar a competitividade do produto nacional.

Num cenário de custos mais baixos e câmbio que estimule as exportações, os investimentos no setor seriam retomados, defende a associação. Segundo outro estudo da Abiquim, entre 2010 e 2020, os aportes da indústria poderiam totalizar US$ 167 bilhões, ou US$ 16,7 bilhões ao ano. Efetivamente, porém, os desembolsos têm ficado muito abaixo desses valores, em torno de US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões ao ano.

Enquanto não houver estímulos e estabilidade, dificilmente esses US$ 10 bilhões ao ano que deixam de ser aportados pelo setor serão convertidos em novos projetos. Até mesmo por causa da existência de capacidade instalada que ainda pode ser ocupada. Em setembro, a taxa de uso ficou em 77%, sete pontos percentuais abaixo do registrado em agosto e seis pontos menor do que o verificado em setembro do ano passado. Nos nove primeiros meses do ano, a taxa média foi de 79%, queda de três pontos, no pior nível dos oito últimos anos.

É preciso ponderar, no entanto, que setembro foi afetado negativamente pela parada programada para manutenção da Braskem no Polo Petroquímico de Mauá (SP), que tomou praticamente todo o mês e é realizada a cada seis anos. A parada da Braskem levou clientes da petroquímica a ajustarem seu calendário e realizar manutenção no mesmo período. Dessa forma, é natural que tanto a produção quanto a taxa de utilização do setor sejam inferiores quando há eventos dessa magnitude. A Braskem, maior petroquímica das Américas, alcançou índices elevados de produção e vendas que culminaram em um resultado recorde do EBITDA em 2016. Segundo prévia não auditada dos resultados, o EBITDA consolidado da Companhia cresceu 23% em relação ao ano anterior e registrou R$ 11,5 bilhões (US$ 3,3 bilhões, alta de 18% em dólar).